Guilherme Henrique Raulino Brasil, cirurgião-dentista estabelecido em Palhoça, na Grande Florianópolis, idealizador do “Projeto Leozinho”, passará a cobrar a quantia simbólica de R$ 1 pelas intervenções cirúrgicas que integram sua iniciativa filantrópica. O anúncio foi feito por meio de um vídeo divulgado em suas plataformas digitais na última quarta-feira (8).
O projeto oferta procedimentos de reconstrução facial sem custo a indivíduos desprovidos de recursos financeiros para arcar com tais tratamentos. Após ser alvo de sucessivas representações junto ao Conselho Regional de Odontologia de Santa Catarina (CRO-SC), ele se viu obrigado a estipular um valor irrisório para dar continuidade aos atendimentos.
De acordo com o relato do próprio especialista, as notificações direcionadas ao órgão de classe não partem dos assistidos pela iniciativa, mas sim de colegas de profissão, como médicos e outros dentistas. “Quem denuncia não são os pacientes. São os profissionais, os médicos, os dentistas. Eles denunciam porque eu estou ofertando cirurgias de graça”, esclareceu Raulino Brasil.
O cirurgião explica que existe um dispositivo no regramento que rege a atuação dos cirurgiões-dentistas o qual proíbe a execução de operações gratuitas, fator que embasa as acusações formais contra o “Projeto Leozinho”. Por intermédio dessa iniciativa, vítimas de acidentes, portadores de tumores ou de enfermidades incomuns conseguiram acesso a intervenções sem qualquer ônus.
Com o propósito de contornar as representações, Raulino determinou a cobrança de apenas R$ 1 pelos procedimentos. “Caso o paciente não tenha, ele pode pagar com pão, caixa de ovo, como já foi feito”, complementou. Um episódio que ilustra essa flexibilidade ocorreu em novembro de 2024, quando uma assistida com um tumor na face quitou sua cirurgia solidária utilizando uma dúzia de ovos caseiros. Na ocasião, o dentista brincou: “São 12 ovos caseiros né, tenho que caprichar!”.