A delegada da Polícia Civil do Amazonas, Marna de Miranda Barbosa, protagonizou um novo episódio de intimidação à imprensa. Em resposta ao jornalista Gabriel Abreu, repórter da TV Norte (afiliada do SBT), ela ameaçou investigá-lo por ter acessado um processo sob sigilo judicial. O contato, registrado em áudio na última terça-feira (20), ocorreu após o profissional questionar a autoridade sobre a possível representação para prisão preventiva do ex-animador do boi Garantido, Felipe Júnior, investigado por estupro de criança em Parintins (AM) e preso recentemente por outro caso semelhante em Manaus.
Ao justificar suas apurações, Abreu explicou que buscou esclarecer lacunas no inquérito, inclusive sobre a omissão de familiares que teriam conhecimento dos crimes. Em tom de ameaça, a delegada afirmou: “Gabriel, muito me assusta a tua afirmação de dizer que teve acesso a todo esse inquérito, porque ele corre em segredo de justiça. Então, qualquer informação que vá à mídia sobre isso, eu já sei que você leu e teve acesso. Você possivelmente vai ser investigado para saber como foi que você teve acesso a um processo que está em sigilo”.
O jornalista defendeu-se destacando o cuidado editorial ao noticiar o caso, evitando qualquer dado que pudesse identificar a vítima, menor de idade. “Não falei datas, nem a forma como o crime aconteceu, justamente para não expor a vítima”, esclareceu. A conduta do repórter ampara-se no direito ao sigilo da fonte, previsto no artigo 5º, inciso XIV, da Constituição Federal, garantia fundamental para o exercício do jornalismo.
Histórico de atritos com a imprensa
Esta não é a primeira vez que Marna de Miranda Barbosa se envolve em conflito com veículos de comunicação. Em junho de 2022, ainda lotada no 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), a delegada foi registrada em vídeo agredindo o equipamento de reportagem do Portal Imediato durante a cobertura de um homicídio no bairro Compensa, em Manaus. O episódio, que resultou em danos materiais ao aparelho, foi classificado pelo Sindicato dos Jornalistas do Amazonas e pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) como intimidação e abuso de autoridade, sem que, até o momento, houvesse um desfecho público sobre possíveis apurações disciplinares.