O advogado de defesa de Pedro Arthur Turra Basso, 19 anos, preso preventivamente por agredir um adolescente de 16 anos após uma festa em Vicente Pires (DF), questionou publicamente a conduta do delegado responsável pelo caso. Eder Fior, em publicações em suas redes sociais, afirmou não ter visto o investigador Pablo Aguiar “chorar com outros crimes” e sugeriu que a prisão do seu cliente atende a uma “comoção social”.
Durante entrevista coletiva, o delegado Aguiar se emocionou ao detalhar a gravidade do ataque, no qual a vítima sofreu traumatismo craniano severo após bater a cabeça em um veículo durante a briga, entrando em coma. O estado de saúde do adolescente permanece gravíssimo.
Em vídeos e textos divulgados online, o defensor argumentou que a autoridade policial deve atuar com imparcialidade e garantias legais, e acusou o delegado de “exorbitar sua função” e agir com “prejulgamento”. Segundo Fior, medidas cautelares, como tornozeleira eletrônica, seriam suficientes, e atribuiu a prisão ao perfil socioeconômico do acusado: “jovem, branco, de classe média, piloto de carro esportivo”.
Pablo Aguiar, da 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires), defendeu a prisão preventiva com base na gravidade do caso e no histórico de conduta do investigado, classificando-o como um “sociopata sem condições de conviver em sociedade”. Ele afirmou que as investigações apontam para um padrão de comportamento agressivo e que Pedro Arthur costuma agir acompanhado de amigos durante confrontos.
O episódio ocorreu na noite do dia 23, após uma discussão iniciada pelo jovem atirar um chiclete em direção a um amigo da vítima. A situação escalou para agressões físicas, resultando na queda do adolescente e em parada cardíaca, revertida após cerca de 12 minutos.
Inicialmente preso em flagrante, Pedro Arthur obteve liberdade após pagar fiança, o que gerou protestos da família da vítima. Horas antes da nova determinação judicial, parentes relataram o impacto devastador do caso, com a vida familiar totalmente alterada pela internação em estado crítico.
Com a repercussão, a Polícia Civil identificou outras quatro denúncias contra o piloto, incluindo três agressões anteriores e uma suspeita de oferecer bebida alcoólica a menor. Duas dessas ocorrências foram registradas após a divulgação do caso atual.
A defesa classifica o episódio como “desentendimento banal” e alega que não houve intenção de causar o desfecho trágico. A família do acusado emitiu nota solidarizando-se com a vítima e afirmando que ele demonstrou arrependimento.
A Fórmula Delta, equipe na qual o jovem pilotava, anunciou seu desligamento da temporada 2026 e repudiou qualquer forma de violência.
Pedro Arthur responde por lesão corporal grave e tentativa de homicídio. A prisão preventiva não tem prazo estabelecido. Enquanto isso, o adolescente permanece internado em coma induzido, sem previsão de alta.