A médica Juliana Brasil Santos, investigada pela morte do menino Benício Xavier de Freitas, de 5 anos, formou-se em Medicina pela Universidade Nilton Lins em 2019, instituição que recebeu conceito 1, a pior nota, no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025, divulgado pelo Ministério da Educação (MEC). O resultado colocou a universidade entre as faculdades sujeitas a processo de supervisão por apresentar baixo índice de proficiência entre seus concluintes.
De acordo com o MEC, cursos que obtêm conceito 1 podem sofrer medidas como redução de vagas e restrições em programas federais de financiamento estudantil. A Nilton Lins alcançou aproximadamente 39% de estudantes considerados proficientes, percentual que a enquadra na faixa de instituições com desempenho crítico na avaliação nacional da formação médica.
Juliana Brasil foi a médica responsável pelo atendimento de Benício no Hospital Santa Júlia, no Centro de Manaus, em novembro de 2025. Segundo as investigações, ela prescreveu uma dose de adrenalina por via intravenosa considerada excessiva para uma criança, procedimento que está no centro do inquérito da Polícia Civil do Amazonas e é apontado como determinante para a morte do menino.
A médica passou a ser representada por uma nova equipe jurídica. O advogado criminalista Sérgio Figueiredo, do Rio de Janeiro, afirmou que a prescrição feita por Juliana foi compatível com o quadro clínico apresentado no momento do atendimento, sustentando que a conduta médica não teria sido irregular do ponto de vista técnico.
A defesa argumenta que possíveis falhas ocorreram em etapas posteriores, já na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), durante a execução da prescrição e nos procedimentos de intubação, que seriam de responsabilidade de outra equipe. Os advogados também negam acusações de falsidade ideológica e afirmam que a médica possui especialização em Medicina da Família, permanecendo à disposição das autoridades enquanto o caso segue sob investigação.