O Ministério Público do Paraná (MPPR) entendeu que a amazonense Thayane Smith, de 19 anos, cometeu crime de omissão de socorro ao não auxiliar o amigo Roberto Farias, também de 19, que se perdeu durante a descida do Pico Paraná, em Campina Grande do Sul, no início de janeiro. A posição contraria a decisão da Polícia Civil paranaense, que havia arquivado o inquérito.
Segundo a 2ª Promotoria de Justiça de Campina Grande do Sul, Thayane teria deixado de prestar auxílio mesmo após perceber a vulnerabilidade física de Roberto, que apresentava vômitos e dificuldade para caminhar, e de ter sido alertada por outros trilheiros sobre os riscos do local. Para o MP, a jovem agiu com dolo, priorizando seu próprio bem-estar e sem demonstrar intenção de colaborar nas buscas.
O promotor Elder Teodorovicz destacou que a conduta ocorreu sob condições adversas, com chuva, frio e neblina na trilha. O MPPR propôs o envio do caso ao Juizado Especial Criminal e sugeriu uma transação penal, que inclui o pagamento de indenização por danos materiais e morais no valor de três salários-mínimos (R$ 4.863) a Roberto, além do ressarcimento de R$ 8.105 ao Corpo de Bombeiros de Campina Grande do Sul, responsável pela operação de busca, que durou cinco dias.
O desaparecimento ocorreu em 1º de janeiro, após os dois subirem o pico no dia 31 de dezembro de 2025 para ver o nascer do sol. Procurada, a defesa de Thayane Smith informou que se manifestará após ter acesso aos autos da ação.
Thayane e Roberto, que tinham uma amizade recente, não voltaram a ser amigos e o rapaz demonstrou que havia ficado magoado e não confiava mais nela.