sábado, 19 de setembro de 2026

Homem que não queria ter filho negro tem condenaçã0 de mais de 26 anos por m@tar namorada grávida

Victor de Souza Rocha recebeu pena de 26 anos e seis meses de prisão pela morte de Kariny Sevalho Lima, 19 anos, crime ocorrido em maio de 2022 no bairro Lago Azul, Zona Norte de Manaus. De acordo com a denúncia do Ministério Público do Amazonas (MPAM), a vítima mantinha um relacionamento com o acusado e estava grávida dele. O homem, porém, não aceitava ter um filho negro.

Preso desde 2023, Victor foi julgado a partir da quinta-feira (17) no Fórum Ministro Henoch Reis, em Manaus. Durante o plenário, respondeu apenas às perguntas da defesa e dos jurados, negando a autoria do crime.

O promotor de Justiça pediu a condenação do réu por homicídio, aborto provocado por terceiro, ocultação de cadáver e injúria racial. A defesa sustentou falta de provas sobre a autoria e contestou a ocorrência dos delitos, sobretudo a acusação de injúria racial.

O Conselho de Sentença acatou as acusações de homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de feminicídio, aborto provocado por terceiro e ocultação de cadáver. Os jurados, no entanto, não reconheceram a injúria racial.

A juíza de Direito Danielle Monteiro Fernandes Augusto manteve a prisão de Victor e determinou a execução imediata da pena, sem direito de recorrer em liberdade.

A gravidez e a noite do crime

Conforme a denúncia do MPAM, Kariny havia contado ao pai e à madrasta que estava grávida, e os familiares se ofereceram para ajudar na criação da criança.

Na noite de 25 de maio de 2022, a jovem foi até a residência de Victor para conversar sobre a gestação, que estava próxima de completar três meses. Ainda segundo a denúncia, ao saber da gravidez, o acusado teria pressionado Kariny a interromper a gestação.

O MPAM também relatou que Victor teria dito a pessoas próximas que não queria ser pai de uma criança negra, em referência às características da vítima. Essa informação integrava a acusação de injúria racial, que não foi reconhecida pelo Conselho de Sentença.

Na época, a família começou a procurar Kariny após perceber a demora para ela retornar para casa. Os parentes tentaram ligar para o celular da jovem, mas o aparelho estava desligado.

O irmão da vítima foi até a residência de Victor, que teria informado que Kariny havia deixado o local. Segundo a denúncia do MPAM, porém, testemunhas relataram ter visto o acusado saindo com a jovem em direção a uma área de mata próxima à residência.

Ainda conforme os autos, Victor teria retornado sozinho e demonstrado nervosismo. No dia seguinte, o corpo de Kariny foi encontrado na área de mata por uma equipe da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS).

Segundo a investigação, a vítima apresentava sinais de violência, com lesões no crânio, no rosto e nos membros superiores.

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