Antes de sofrer uma tentativa de estupro e ser morta com 44 facadas em Londrina, no Norte do Paraná, a jovem Thaissa de Oliveira Marques enviou áudios a um amigo nos quais relatava as visitas constantes de um “menino” ao seu trabalho. Em um dos trechos, ela conta que a pessoa também tinha enviado currículos para a academia onde havia sido recém-contratada e já havia ido ao local outras vezes.
Thaissa tinha 21 anos e foi assassinada no estacionamento do estabelecimento, que se preparava para a inauguração, enquanto distribuía panfletos, na sexta-feira (11). O suspeito do crime, Gabriel de Andrade, de 21 anos, foi preso em flagrante no mesmo dia.
Os áudios foram enviados em 8 de setembro. Neles, a vítima relata ao amigo que Gabriel já havia ido à academia pelo menos cinco vezes. Em determinado trecho, ela demonstra incômodo com a insistência e diz esperar que as visitas estivessem sendo gravadas.
“Eu fui mostrar para ele a academia, ali. Aí eu peguei e entrei já pensando: ‘Tem câmera, né? Qualquer coisa, espero que o meu gerente esteja olhando’. Aí, fomos. Chegando perto do banheiro, eu falei: ‘Ah, ali são os banheiros e tudo mais, mas você não tem interesse em ver, não, né?’. Aí ele: ‘Não, quero ver os banheiros’. E eu pensando: ‘Não tem câmera'”, disse Thaissa em áudio.
O delegado Magno Miranda informou, na segunda-feira (14), que o gerente da academia confirmou em depoimento que Gabriel se inscreveu para uma vaga de emprego antes do crime. No entanto, ele não foi selecionado.
Após o crime, Gabriel fugiu e parou em uma rua próxima ao estabelecimento porque estava com ferimentos na mão. Ele foi socorrido por pessoas que estavam no local e afirmou que havia sido assaltado.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a PM foram acionados para atender a ocorrência do suposto assalto. Enquanto as equipes cuidavam do caso, trabalhadores que foram à academia para prestar serviços encontraram manchas de sangue no local e avisaram a polícia.
Os agentes foram até o estabelecimento e localizaram o corpo de Thaissa. Diante dos policiais, o homem confessou o crime.
“Ainda segundo os agentes, ele também teria declarado que pretendia estuprá-la e que, não conseguindo consumar o ato, acabou por matá-la”, diz a nota da polícia.
Ele foi preso em flagrante por homicídio qualificado consumado e tentativa de estupro.
No depoimento à Polícia Civil, no entanto, Gabriel de Andrade apresentou versões contraditórias e afirmou não se lembrar de detalhes, dizendo recordar apenas de ter ido à academia onde o crime aconteceu. Nesta quinta-feira (17), ele seguia preso.