O tiro que acertou um homem de 37 anos no interior de um estande de tiro em Toledo, região oeste paranaense, foi consequência de uma sucessão de equívocos nos protocolos de segurança, conforme avaliação do delegado Fábio Freire, encarregado do caso. Gravações do circuito interno mostram os dois indivíduos na ala administrativa do estabelecimento na tarde de sábado (29).
Nas imagens, a vítima aparece manipulando a pistola e, na sequência, a deposita sobre uma mesa. Logo depois, o outro homem apanha o armamento e, ao manuseá-lo, efetua o disparo que atingiu o tórax do primeiro.
A vítima foi alvejada por um projétil de pistola calibre 9 mm. Recebeu os primeiros socorros de pessoas que estavam nas proximidades e foi encaminhada ao Hospital Bom Jesus (HOESP), onde permanece internada em estado crítico na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
De acordo com Freire, entre as normas desrespeitadas estão a de manter o dedo afastado do gatilho, apontar o cano para uma direção segura e tratar qualquer arma como se estivesse municiada.
Segundo o delegado, o autor do disparo deixou o equipamento sem projéteis na câmara. Em seguida, a vítima teria reinserido o carregador, colocado uma munição na câmara, retirado novamente o carregador e reposto a pistola sobre a mesa.
O segundo homem, ainda conforme a apuração, teria presumido que a arma continuava sem condições de efetuar disparos e acabou pressionando o gatilho.
Ambos os envolvidos frequentavam o local como visitantes. O autor do tiro possui registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC). Ele já prestou depoimento à Polícia Civil e não foi detido.
A corporação informou que, até o estágio atual, os elementos apontam para um disparo acidental e para a possível tipificação de lesão corporal culposa, quando não há intenção de ferir.
Ainda segundo a polícia, o incidente ocorreu em uma área administrativa, espaço onde o manuseio de armamentos é vedado.
Em comunicado oficial, o clube de tiro classificou o manejo de armas fora das áreas autorizadas como conduta irregular e proibida.
“As circunstâncias do incidente pontual ocorrido estão sendo apuradas com a devida cautela e responsabilidade, e os detalhes serão esclarecidos após a conclusão das apurações”, diz o texto.
Ao término do inquérito, a documentação será remetida à Polícia Federal e ao Comando do Exército para as medidas administrativas pertinentes ao clube e aos envolvidos.