A Justiça de Mato Grosso condenou a pecuarista Ines Gemilaki, seu filho, o médico Bruno Gemilaki Dal Poz e o cunhado dela, Éder Gonçalves Rodrigues, a indenizar em R$ 267,9 mil o proprietário da residência invadida a tiros durante uma confraternização familiar, em Peixoto de Azevedo. A sentença, publicada no dia 8 de julho na esfera civil, fixa R$ 267,9 mil o proprietário da residência invadida e R$ 240 mil por danos morais, num desdobramento que tenta reparar, ao menos financeiramente, o rastro de destruição e pavor deixado pelo ataque.
O episódio ocorreu em 21 de abril de 2024. Armados, os três réus invadiram a casa de Erneci Afonso Lavall e dispararam contra os presentes. Dois idosos, Pilson Pereira da Silva, de 69 anos, e Rui Luiz Bogo, de 81 anos, foram mortos. Outras pessoas ficaram feridas, entre elas um padre. A motivação, segundo as investigações, giraria em torno de um desacerto comercial relacionado a aluguéis do próprio imóvel invadido.
Na decisão, o juiz João Zibordi Lara foi categórico ao reconhecer a participação conjunta dos três na ação armada. Destacou que o imóvel sofreu danos significativos em vidros, portas, paredes, móveis e cortinas, e apontou que a violência extrapolou qualquer limite ao transformar um lar em palco de horror. “A residência é espaço de intimidade, segurança e proteção familiar. A invasão armada do lar, com disparos de arma de fogo, mortes, pessoa ferida e destruição patrimonial, ultrapassa qualquer noção de mero aborrecimento ou dissabor cotidiano”, escreveu o magistrado.
Apesar da condenação, o juiz considerou que o proprietário também contribuiu para o agravamento do conflito. Durante o processo, Erneci admitiu ter enviado terceiros para cobrar uma dívida de Ines Gemilaki, prometendo comissão em caso de êxito, mesmo ciente de que havia uma decisão judicial desfavorável àquela cobrança. O magistrado, contudo, foi firme: “A eventual conduta ilícita antecedente do autor não exclui a responsabilidade dos requeridos pelo ataque armado posteriormente praticado”.
A memória do massacre
O crime chocou Mato Grosso. Dois dias após o ataque, o marido de Ines, Marcio Ferreira Gonçalves, e o irmão dele, Éder, foram presos. Ines e Bruno se entregaram à polícia.
Em maio de 2025, os quatro foram indiciados, e Bruno teve o exercício da medicina suspenso por decisão do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT). Imagens do dia da invasão, que flagraram mãe e filho atirando contra os idosos, correram o país e transformaram uma disputa por aluguel atrasado em símbolo de uma barbárie.