O Tribunal do Júri da Comarca de Araruama, na Região dos Lagos fluminense, iniciou nesta quinta-feira (23) o julgamento de Natanael dos Santos Nunes e Luiz Henrique Mora Fersura. Os dois réus respondem pela participação no assassinato da influenciadora digital e cantora Aline Borel dos Santos, de 28 anos, morta a tiros em 21 de abril de 2022.
Aline Borel conquistou projeção nacional de forma inusitada: com vídeos caseiros em que interpretava, com forte carga de espontaneidade, músicas autorais e sucessos da dupla Sandy & Junior. Canções como “É Cansativa a Vida do Crente” e “Vacilei Pô, Tô Ciente!” viraram memes e seguem compartilhadas até hoje. Outros registros, entre eles “Olha a Lua”, “Agora Sou Mulher” e tentativas de hits internacionais, também alimentaram a viralização. Em 2019, tamanha repercussão a levou ao extinto “Programa da Maisa”, no SBT.
Após um período de silêncio nas plataformas, Aline publicou um novo vídeo em abril de 2022 anunciando a retomada do seu canal no YouTube e pedindo o apoio dos fãs. Quatro dias depois, foi executada.
A denúncia
Segundo a acusação do Ministério Público do Rio de Janeiro, a influenciadora trabalhava na limpeza de um imóvel conhecido como “Casa Amarela”. A residência, embora desocupada, era frequentada por integrantes de uma milícia com atuação na região. Para os investigadores, foi justamente esse vínculo circunstancial que decretou sua sentença de morte.
Ricardo Santos Oliveira, apontado como chefe do tráfico local, ordenou a execução por acreditar que Aline pudesse estar repassando informações à milícia, em um contexto de guerra territorial com o Comando Vermelho.
No dia do crime, ainda de acordo com o Ministério Público, Natanael e Luiz Henrique, acompanhados de João Vitor Fernandes dos Santos, também identificado como membro do Comando Vermelho, convenceram a vítima a segui-los até a Praia do Dentinho, no distrito de Praia Seca. No local, Natanael teria efetuado os disparos fatais.
O julgamento prossegue sob grande expectativa. A defesa dos réus ainda não se manifestou publicamente sobre o conteúdo da denúncia.