A prisão da diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, na madrugada desta quinta-feira (2), em Itabira (MG), lançou luz sobre o pano de fundo de um duplo homicídio brutal que chocou Belo Horizonte. De acordo com investigações, a principal suspeita de assassinar um casal de idosos acumulava dívidas originadas em apostas online, o famoso “Jogo do Tigrinho”, o que levou seus parentes a se mobilizarem para reunir R$ 40 mil e quitar um débito com um agiota.
As vítimas são o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76 anos, encontrados sem vida no apartamento onde residiam, no bairro São Pedro, região nobre da capital mineira, na última terça-feira (30). Ele levou 17 facadas e a esposa, sete. A confirmação da detenção veio por meio da Polícia Civil de Minas Gerais.
A tia da suspeita, Nilza Maria Neto, revelou que a sobrinha vinha enfrentando sérios problemas ligados ao vício em apostas online. Preocupada com as evidentes mudanças de comportamento, a família a levou a um hospital psiquiátrico na capital mineira, onde Paola iniciou um tratamento medicamentoso. Esse acompanhamento, contudo, não foi mantido com regularidade. “Descobrimos tudo que estava acontecendo. Levei ela ao plantão de um hospital psiquiátrico, onde foi medicada. Foi aí que ela começou a tomar remédio”, contou Nilza.
O delegado Gustavo Barletta, à frente das investigações, confirmou o esforço financeiro dos parentes para tentar resolver a situação de Paola. Apesar disso, a origem exata do débito permanece no escuro. “A família informa que ela teria levantado a quantia de 40 mil reais para pagar um agiota. Agora, qual o contexto dessa dívida? A gente ainda não tem essa informação”, ponderou o delegado.
A diarista pisou pela primeira vez no apartamento do casal justamente no dia do crime, após ser indicada por um amigo das vítimas para quem já prestava serviços havia cerca de um ano. Segundo as apurações, o idoso recusou convites para assistir a uma partida de futebol justamente por ser a primeira jornada da nova diarista na residência.
Antes de fugir, Paola tomou banho e trocou de roupa no próprio imóvel das vítimas. Dali, dirigiu-se ao centro da capital para negociar os objetos roubados, entre os quais estavam relógios, joias e outros itens de valor. Retornou, ainda no mesmo dia, à sua residência em Ribeirão das Neves, na região metropolitana, onde confidenciou aos familiares que havia “feito uma grande besteira”.
Na quarta-feira (1º), a mulher fugiu levando consigo seu filho de apenas 6 anos. Até o momento da prisão, na madrugada seguinte, não havia confirmação se a criança estava em sua companhia. A investigação prossegue para esclarecer a dinâmica completa do duplo homicídio.