Condenado a quase 700 anos de prisão por 35 assassinatos, o vigilante Tiago Henrique Gomes da Rocha, conhecido como o serial killer de Goiânia, poderá deixar o sistema prisional em 2044. Preso em 14 de outubro de 2014, quando tinha 26 anos, ele está sujeito às regras vigentes à época dos crimes, que limitavam o tempo máximo de cumprimento de pena a 30 anos.
Responsável por uma série de homicídios que chocou Goiás e ganhou repercussão internacional, Tiago permanece há mais de uma década em uma cela isolada no Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. Segundo informações divulgadas ao longo dos anos, o condenado recebeu diversas cartas de admiradoras interessadas em manter relacionamento com ele, mesmo sabendo do perigo.
Embora tenha sido sentenciado a centenas de anos de prisão, o caso é regido pela legislação anterior ao chamado Pacote Anticrime. A lei, sancionada em 2019 e em vigor desde janeiro de 2020, ampliou de 30 para 40 anos o limite máximo de cumprimento de pena no Brasil. No entanto, para condenações relacionadas a crimes cometidos antes da mudança, continua valendo a regra antiga.
Os crimes atribuídos a Tiago desafiaram as autoridades goianas. Entre janeiro e agosto de 2014, ele matou 16 pessoas, sendo 15 mulheres com idades entre 13 e 28 anos e um homem de 51 anos. Utilizando uma motocicleta, o criminoso abordava as vítimas em locais variados, como pontos de ônibus, bares, praças, ruas pouco movimentadas e até veículos parados em semáforos.
Diante da repetição do modus operandi e da ausência de roubos, a Polícia Civil concluiu que se tratava de um assassino em série e criou uma força-tarefa para identificá-lo.
A prisão ocorreu no fim da tarde de 14 de outubro de 2014, justamente no dia em que a Polícia Civil de Goiás ampliou o efetivo empregado nas buscas. Tiago foi abordado por agentes após ser visto trafegando de motocicleta na região norte da Avenida Castelo Branco.
Levado à delegacia, o então vigilante surpreendeu os investigadores ao confessar não apenas os homicídios cometidos em 2014, mas também assassinatos ocorridos em anos anteriores. Ao todo, ele admitiu participação em 39 mortes. Antes da prisão, havia trabalhado para pelo menos três empresas de segurança terceirizada da capital goiana.
Meses depois, um laudo elaborado pela Junta Médica do Tribunal de Justiça de Goiás apontou que Tiago possui Transtorno de Personalidade Antissocial. Apesar do diagnóstico, os especialistas concluíram que ele tinha plena capacidade de compreender a ilegalidade de seus atos e o classificaram como um indivíduo de altíssima periculosidade, com forte tendência à reincidência criminal.
Segundo o documento, não havia indicação de tratamento psiquiátrico ou psicológico capaz de alterar significativamente o quadro apresentado. O laudo também destacou a predisposição do condenado para voltar a praticar delitos semelhantes e até outros tipos de crimes.