quinta-feira, 4 de junho de 2026

Motorista de app diz que não ficar com a passageira seria ‘desperdício’ e pede: ‘Mij@ na minha cara’

Um motorista de aplicativo de 68 anos, identificado como “José” no Boletim de Ocorrência (BO), ofereceu R$ 200 a uma passageira de 25 anos para um encontro sexual durante uma corrida na última segunda-feira (1º), em Araçatuba (SP). A investida foi gravada pela vítima, e o vídeo circula nas redes sociais com o rosto do pervertido borrado.

Após o episódio, a jovem procurou a polícia e registrou denúncia. O homem se apresentou espontaneamente na terça-feira (2), foi ouvido e liberado. A empresa 99, responsável pelo aplicativo, informou em nota na quarta-feira (3) que lamentou o caso e afirmou adotar “política de tolerância zero em casos de assédio e violência sexual”. O motorista foi permanentemente bloqueado da plataforma.

De acordo com o BO, a vítima havia solicitado a corrida para buscar o filho na escola. Durante o trajeto, o condutor teria iniciado comentários de cunho sexual e feito propostas consideradas ofensivas. Em dado momento, ele afirmou: “Última oferta, vou parar, vamos para lá. Você está quase indo, vai. Você está na paz, mas os R$ 200 está faltando. Que desperdício, olha o tamanho dessas pernas suas”.

Conforme o relato da passageira à polícia, o motorista repetiu que ela era “um desperdício” e perguntou se fazia programa, oferecendo dinheiro para que aceitasse. Mesmo diante do evidente desconforto e da recusa da jovem, ele insistiu no convite para ir a um motel e fez diversas insinuações sexuais. “Mija na minha cara”, ele ainda teria pedido.

Ainda segundo o registro policial, a vítima permaneceu apreensiva durante todo o percurso e tentou interagir o mínimo possível até conseguir desembarcar. Ela conseguiu gravar parte da conversa e apresentou as imagens, além de informações obtidas pelo próprio aplicativo, que devem auxiliar na identificação. Antes do fim da corrida, conforme a jovem, o motorista pediu que ela “esquecesse o ocorrido”.

Ao ser ouvido, o investigado contestou a versão da mulher. A delegada Luciana Pistori Francino explicou que ele alegou estar combinando um encontro sexual mediante pagamento. “Ele disse que, como a filmagem começou em um determinado ponto da corrida, não foi filmado o que tinha acontecido antes, que foi a conversa inicial ocorrida entre eles. Ele alegou que na verdade eles estavam combinando um encontro sexual mediante pagamento. O que ela gravou teria saído do contexto de tudo que teria acontecido dentro do carro”, detalhou a autoridade policial.

Segundo a polícia, o suspeito não possui antecedentes criminais e, até o momento, não há outras vítimas identificadas. Por isso, ele foi ouvido e liberado. Caso a acusação se confirme, ele poderá responder por importunação sexual. Diante da versão apresentada pelo investigado, a polícia deverá intimar a mulher a prestar um novo depoimento.

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