domingo, 31 de maio de 2026

Filha adotiva de Hytalo Santos alega rac1smo e h0mof0bia em condenação do influenciador por exploração s3xual

A influenciadora Kamyla Maria, conhecida como Kamylinha, de 19 anos, saiu em defesa do pai adotivo, Hytalo Santos, após a Justiça da Paraíba condená-lo a 11 anos e 4 meses de prisão por produção de conteúdo pornográfico envolvendo adolescentes. A decisão, assinada pelo juiz Antônio Rudimacy Firmino de Sousa, da comarca de Bayeux, na Grande João Pessoa, também atingiu o marido do influenciador, Israel Natan Vicente, o Euro, que recebeu pena de 8 anos e 10 meses de reclusão.

Em publicação nas redes sociais, Kamylinha atribuiu a sentença a um suposto preconceito contra a cor da pele e a orientação sexual de Hytalo. “Todo mundo sabe que o Brasil é um país injusto, mas só quem vive a dor do preconceito sabe o que é. Fiquei muito abalada quando vi isso, porque sei de toda a dor e sofrimento que uma pessoa negra e gay sofre no Brasil, mas sei que a justiça não fechará os olhos para isso. Creio em Deus e na sabedoria das suas decisões”, escreveu a jovem, que tem 4 milhões de seguidores no Instagram.

Adotada por Hytalo aos 12 anos, Kamylinha integrava desde a infância o grupo de adolescentes que o influenciador chamava de “crias” e que protagonizavam os conteúdos publicados nas redes sociais do casal . O caso ganhou repercussão nacional após denúncia do youtuber Felipe Bressanim Pereira, o Felca, que expôs em um vídeo de 50 minutos, intitulado “Adultização”, a exploração de menores em conteúdos na internet. A publicação ultrapassou 40 milhões de visualizações.

Durante o período em que viveu na residência do influenciador, Kamylinha, ainda menor de idade, foi submetida a uma cirurgia de implante de silicone nas mamas e engravidou de Hyago Santos, irmão de Hytalo. A gestação, no entanto, terminou em um aborto espontâneo.

Condenação

Na sentença, o magistrado descreveu que os adolescentes eram inseridos em um ambiente artificial e controlado, comparado a um “reality show”, onde eram expostos a um contexto adulto e a situações consideradas de risco extremo. A decisão aponta ainda permissividade no local, com fornecimento de bebidas alcoólicas, negligência quanto à alimentação e à escolaridade dos menores, além da exploração da vulnerabilidade das vítimas, que não teriam condições de compreender ou resistir às práticas ilícitas.

Além das penas privativas de liberdade, a Justiça fixou indenização por danos morais no valor de R$ 500 mil e o pagamento de 360 dias-multa para cada réu. O casal está preso preventivamente desde agosto de 2025.

A defesa de Hytalo Santos e Israel Vicente, comandada pelo advogado Sean Kompier Abib, confirmou que irá recorrer da decisão e criticou duramente os fundamentos da sentença. Em nota oficial, a equipe jurídica afirma que a condenação representa “a vitória do preconceito contra um jovem nordestino, negro e homossexual” e estigmatiza o “universo cultural do brega funk” .

Os advogados destacaram um trecho específico da decisão em que o juiz afirma que “não é porque Hytalo é negro e gay assumido, inclusive casado com um homem, que teria personalidade desvirtuada”. Para a defesa, a simples menção a essas características revela o viés preconceituoso da sentença e motivará uma representação contra o magistrado no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Apesar da condenação em primeira instância, o Tribunal de Justiça da Paraíba mantém em curso o julgamento de um pedido de habeas corpus em favor do casal. A análise do recurso, que havia sido suspensa por um pedido de vista, será retomada nesta terça-feira (24).

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