O investigador da Polícia Civil Manoel Batista da Silva, de 52 anos, segue preso em Mato Grosso após exames de DNA confirmarem o estupro de uma detenta dentro da delegacia de Sorriso. De acordo com a defesa da vítima, ela foi detida por um crime que não cometeu e sofreu quatro abusos sexuais entre a noite de 9 de dezembro e o amanhecer do dia seguinte. Sob ameaças de morte contra sua filha menor de idade, a mulher era retirada da cela pelo policial e levada para uma sala vazia, onde ocorriam as violações.
O advogado Walter Rapuano sustenta que a prisão da cliente foi um equívoco. Ela havia sido apontada por um motorista de aplicativo como cúmplice em um homicídio, mas imagens de câmeras de segurança comprovaram que ela não estava no local do crime. Embora a Polícia Civil negue erro na condução do mandado temporário, a própria delegacia solicitou a soltura da mulher três dias depois, após as investigações colocarem em dúvida o depoimento que a incriminava.
A denúncia de estupro foi formalizada junto ao Ministério Público logo após a vítima ganhar a liberdade. A delegada Layssa Crisóstomo confirmou que o material genético colhido na perícia foi confrontado com o de todos os agentes de plantão, resultando em compatibilidade direta com o DNA de Manoel. Outras presas foram interrogadas para apurar se o investigador fez mais vítimas, mas, até o momento, não surgiram novos relatos de abuso.
Apesar de ter sido liberada da acusação de homicídio, a mulher agora enfrenta um novo pedido de prisão por suposto envolvimento com tortura e facções criminosas, em uma investigação que não possui relação com os abusos sofridos na delegacia. O mandado expedido pelo Ministério Público ainda não foi cumprido. O caso de violência sexual continua sendo apurado pela Corregedoria da Polícia Civil, enquanto a defesa do investigador ainda não foi localizada para comentar as acusações.